Halloween – Análise

Halloween (1978) foi um precursor em muitos pontos, assim como Evil Dead (1981), lançado alguns anos depois. A última sobrevivente, a Scream Queen (rainha do grito) original, uma personagem feminina forte o suficiente para lutar contra algo imparável e o primeiro Slasher Movie (filme de homicida imparável), Sexta Feira 13, o original, foi lançado em 1980, depois de Halloween.

Sendo assim, naturalmente que uma série de continuações e remakes seriam lançados, ao longo dos anos. Hoje já contabilizamos 11 filmes, mas garanto a você, tendo assistido apenas o primeiro, e este de 2018, suas necessidades serão supridas.

Sinopse

Na noite de Halloween de 1963, Michael Myers, com apenas 6 anos, assassinou sua irmã com diversas facadas, vestido de palhaço e usando uma máscara. Na mesma noite, foi levado a um hospital psiquiátrico e nunca mais falou com ninguém.

Tendo sido objeto de estudo de uma série de Doutores no decorrer dos anos seguintes, muitos dos quais tentaram entender Michael e ajudá-lo a recuperar o que quer que houvesse por traz daqueles olhos vazios, foi o Dr. Loomis (Donald Pleasence) que melhor entendeu Michael.

Nas palavras do Dr. Loomis: “Eu o conheci quinze anos atrás. Me disseram que nada restava. Nenhuma razão, nenhuma consciência, nenhum entendimento e nem o mais rudimentar senso de vida ou morte, de bem ou mal, certo ou errado. Eu conheci essa criança de seis anos, pálida, desprovida de expressão e os olhos mais negros – os olhos do Diabo. Eu passei oito anos tentando entendê-lo, encontrá-lo e então outros sete, tentando mantê-lo preso, por que eu entendi que o que vivia atrás daqueles olhos do garoto era pura e simplesmente mau.”

Quinze anos depois, na véspera do Halloween de 78, Michael toma o carro de uma enfermeira e foge do hospício, em direção a Haddonfield. Na noite seguinte, ainda que perseguido pela polícia, Michael assassinou cinco jovens e quase matou Laurie Strode (Jamie Lee Curtis).

Bastante ferido, Michael voltou a ser preso no hospício. Mas as feridas de Laurie foram piores.

Sofrendo de estresse pós traumático, Laurie jamais se recuperou, e pelos anos seguintes buscou se preparar para a eventualidade de Michael Myers escapar novamente do cárcere. O que lhe custou dois casamentos, o relacionamento com sua filha e sua neta.

Então, na véspera do Halloween de 2018, exatos quarenta anos da onda de assassinatos, Michael Myers escapou novamente…

Halloween teve um impacto tão grande na indústria do cinema que, diversas das maiores franquias do cinema, lançadas logo depois, parecem ser cópias diretas do original. Sexta Feira 13 (80) é Halloween em um acampamento, Alien (79) é Halloween no espaço, O Exterminador do Futuro (84) é Halloween do futuro. Se parece absurdo, veja os pontos principais: Se passam na escuridão, é apenas uma ameaça, é imparável e implacável.

A trilha sonora marcante (acima a música tema, refeita, por John Carpenter), o design simples e ainda assim, absoluto, de uma ameaça que não pode ser parada, o jogo de luzes, sombras e vultos. Jamie Lee Curtis, retornando ao papel que lhe colocou no mapa de Hollywood. O filme tem inúmeros pontos positivos que o colocam muito acima de vários remakes e reboots que vemos hoje no mercado. Com certeza tem o ar de frescor que garantirá ao menos mais uma continuação. Até por que, a bilheteria foi de mais de 250 milhões de dólares. Não parece muito, mas se levarmos em conta que custou apenas 10 milhões para produzir…

Passados todos os pontos positivos, vamos àqueles nem tão positivos assim.

Em diversos momentos do filme, nos identificamos e vemos muito presente o estresse pós traumático de Laurie, mas sua relação com a filha e a neta poderiam ser mais explorada. Não haveria qualquer problema com tempo, não se perdesse tempo com o clichê dos jovens maconheiros e uma história paralela de Allyson, a neta de Laurie, que não vai a lugar algum.

Contrariando o excelente trabalho realizado na tomada contínua de Michael, enquanto invade casas e mata duas pessoas inocentes, temos uma série de cortes rápidos em diversos momentos do filme que parecem tirados dos remakes bobos de Rob Zombie de 2007 e 2009.

No terceiro ato do filme, quando nos aproximamos do desfecho, temos um plot twist tão bobo que chega a dar pena e que impede que esse filme realmente entre pra história, como o primeiro o fez, quarenta anos antes.

Halloween (2018) é um bom filme de suspense, um filme que não se apoia em jump scares, com personagens bem desenvolvidas, ótima trilha sonora, direção competente, e um vilão muito, mas muito ameaçador. Com certeza vale os 109 minutos de duração, principalmente para aqueles que, como eu, sentiram falta do bom e velho Michael Myers.

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