Hereditário

Mais um expoente do terror moderno

Escrito e dirigido por Ari Aster, do qual nunca havia ouvido falar, Hereditário (2018) nos conta a história de Annie Graham (Toni Collette, ótima, como de costume), uma artista especializada em construção de miniaturas, cenários e cenas do cotidiano, que recentemente perdeu a mãe, Ellen, uma mulher misteriosa e distante.

Como Ellen era muito distante, a perda não foi sentida diretamente pela família, exceto pela pequena Charlie (Milly Shapiro, que parece tranquila já em seu primeiro papel, em meio a figurões como a própria Toni Collette e Gabriel Byrne), que tinha um vínculo muito forte com a avó.

Steve (Gabriel Byrne) e Peter (Alex Wolff), marido e filho mais velho de Annie, parecem mais tranquilos, principalmente Steve, que se mantem como um bastião de sanidade, enquanto toda família desce em uma espiral de loucura, mas não na posição do cético do filme de terror, como tantos outros filmes tem, não, em Hereditário não espaço para esse tipo de personagem. Steve também sente as dores da família, é um personagem crível, um cara excelente, na hora, local e família errada.

Assim como em A Bruxa (2015), Hereditário é daqueles filmes onde a tensão aumenta de forma gradativa, sem nunca apressar o passo. São apresentados e desenvolvidos os personagens, seus traumas e uma linha de continuidade que leva ao desfecho. Todo esse desenvolvimento tem um ritmo diferente da maioria dos filmes de terror, principalmente os modernos e não sentimos que nenhum personagem parece mal desenvolvido, ou gratuito.

Ao contrário da maioria dos filmes do gênero, enquanto a tensão aumenta em Hereditário, o volume do filme não o segue. Como em O Iluminado, ou 2001: Uma Odisséia no Espaço, Hereditário parece dirigido por Stanley Kubrick, tantos são os momentos de silêncio, quando a maioria dos diretores poria um jump scare, que se torna difícil definir este filme como um terror, ou suspense. Em nenhum momento a trilha sonora interrompe o fluxo do filme para dar um susto barato, ao contrário, ela cresce, como mais uma ferramenta de tensão, até o ponto em que… Silêncio… E então…

O enquadramento das cenas também é lindo, principalmente em um momento logo no começo do filme, em um jogo com uma das miniaturas construídas por Annie. Hereditário é daqueles filmes que faz você forçar as vistas, em meio a escuridão de algumas cenas e então, enquanto aperta os olhos, você percebe que sim, tem algo ali.

Muitas das críticas negativas que o filme recebeu foram relacionadas ao seu final, que à primeira vista parece se entregar aos clichês e forçar uma exposição desnecessária de tudo que aconteceu durante o filme. Como Hereditário distorce tantos dos clichês e não se apega a maioria deles, sugiro que vá de mente aberta e encare o final de outra forma, provoque-se, pois assim como em Corrente do Mal (It Follows), me parece que o final está sim, aberto a interpretação.

Ainda que não seja consenso entre os fãs do gênero (89% dos críticos e apenas 61% da audiência, no Rotten Tomatoes), Hereditário ocupa com segurança sua posição no topo do terror moderno ao lado de novos clássicos como, Corrente do Mal, Corra e A Bruxa. E que nova leva nós, fãs do terror temos recebido, heim.

Hereditário tem pouco mais de duas horas de duração, e no elenco estão: Toni Collette, Gabriel Byrne, Milly Shapiro e Alex Wolff. Foi produzido com “apenas” 10 milhões de dólares e faturou 79 milhões.

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