Análise da Estréia de Kidding

Todo mundo lembra do Jim Carrey. Um ícone do humor dos anos 90 em Hollywood, com uma expressão corporal e facial única que era o que o destacava no meio de tantos outros atores. Grinch, Debi e Lóide, Ace Ventura, O Máscara… Todos filmes estrelados por ele e que garantiram seu sucesso estrondoso. O sorriso de Jim Carrey sempre foi muito característico – praticamente o troll face na vida real.

Mas Jim Carrey também fez outros filmes que destoavam da natureza cômica dele, como O Show de Thruman e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Ambos filmes mais sérios com questionamentos profundos sobre a natureza humana no geral. E nessa pegada que vemos o retorno de Jim em Kidding.

Afastado há anos da indústria do entretenimento em razão de sua depressão, Jim Carrey volta em algo que ele sentia que sempre quis fazer, segundo afirmou em entrevista recente. E o clima da série não poderia soar mais próximo do que – imagina-se – tenham sido os anos de reclusão de Jim.

Em Kidding, Jim Carrey vive o simpático Jeff, ou senhor Pickles, um apresentador de um programa infantil muito famoso, que tem sua vida particular composta por uma série de coisas que vão dando errado, pra não entrar muito em spoilers. Os episódios terão por volta de meia hora de duração, o que se mostrou algo bom, já que o ritmo do episódio é satisfatório, sem enrolar e indo direto ao ponto.

A primeira coisa que posso dizer é que o episódio é doloroso, pelo próprio tema central do episódio, que é a morte de um dos filhos de Jeff em um acidente de carro. A dor de Jeff é palpável, quase daria pra cortar com uma faca, de tão densa. A todo o momento vemos ele lutando para pesar as palavras, não perder a gentileza, não errar a mão na hora de agir ou de trabalhar. Sua relação com a família também não é das melhores. Jill, sua esposa, pediu um tempo para poder viver seu luto, de forma que Jeff foi morar em outro lugar. Além disso, seu filho Will também se mantém afastado do pai, revoltado com sua atitude serena.

E ao longo do episódio as coisas só vão ladeira abaixo, bem abaixo, a ponto de ser tão angustiante a perda como a maneira que Jeff lida com ela, se segurando. Neste ponto, arrisco dizer que é o melhor trabalho de Jim Carrey até agora, que entrega o personagem de maneira impecável e extremamente crível. Aflitivo, triste, depressivo, com um ou outro toque de humor (sinceramente, não sei de onde tiraram que teria humor nessa série). De fato Jim Carrey não é um ator preso á um só papel ou estilo artístico.

A direção da série fica a cargo de Michel Gondry, que também dirigiu Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, pra ficar no mais conhecido. Talvez isso seja o bastante para justificar que a direção se mantém excelente, o que só engrandece a série. Em vários momentos é possível se sentir na pele dos personagens, devido ao posicionamento da câmera. Impressionante o quanto isso ajuda a construir o ar mais intimista que a série pede.

 Além disso, devido ao apelo infantil do personagem principal, a presença de músicas infantis dá um ar ainda mais melancólico e triste pra trama, ressaltando a todo o momento os sentimentos tanto dos personagens quanto dos espectadores. Dá uma dorzinha no peito vez ou outra.

Não seria possível dizer muito mais sem entrar em spoilers. Mas certo que essa série valerá a atenção deste que vos escreve, e recomendo fortemente. Conforme novos episódios forem saindo, faremos uma análise aqui na Porca Flamejante.

Um brilho na careca.

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