Análise

Luz ou Sombra?

A luz do sol que entra pela janela naquele dia frio e esquenta seus pés, ou a sombra debaixo de um árvore, em um dia tenebroso de verão? Continuamos com aquelas perguntas sem resposta definitiva, amigos, e com a série de relatos de um PCMR no retorno aos consoles. Na semana passada, comentei um pouco sobre a experiência com Uncharted 4 A Thief’s End, essa semana quero comentar sobre o segundo título em que coloquei as mãos…

INFAMOUS: SECOND SON

Outra série que nunca acompanhei, diferente de Uncharted, por simplesmente não haver interesse algum na jogabilidade ou estilo, foi a série Infamous, ainda que alguns amigos tenham falado tão bem dela.

Sempre pensei que parecia um Devil May Cry sem o cool factor de Dante (curioso como já há algum tempo, nem Devil May Cry tem mais o cool factor de Dante). Second Son, pelo design e comportamento de Delsin (o personagem principal) nos trailers, lembrou daquele tio que tenta ser cool mas sempre passa vergonha… O cara até já foi legal, mas hoje é só meio “vergonha alheia”, sabe? Tipo Sunset Overdrive, pra citar um exemplo nos games.

InfSS conta a história de Delsin Rowe, adolescente de 24 (sim, foi intencional) que vive numa reserva indígena próxima à Seattle, onde o game realmente se passa. Num fátidico dia onde o herói recebe seu chamado para a jornada, ele acaba entrando em contato com um conduite fugitivo, espécie de mutantes que se utilizam de forças naturais para fazer o bem ou o mal. Blá, blá, blá, força paramilitar totalitária, blá, blá, blá, revolução, blá, blá, blá… Você já entendeu, né? Esse template foi usado em Red Faction Guerrilla, Prototype e mais meia dúzia de títulos de mundo aberto.

Ainda na reserva, durante o tutorial, podemos ver que já no início dessa nova geração os gráficos realmente vieram para impressionar. As chamas e fumaças, no caso do condutor de fumaça, com o qual passamos a maior parte do jogo, as luzes e partículas quando utilizamos o Neon, que encontramos ali pela metade, e já mais para os finalmentes e o condutor de Video, que é simplesmente patético em sua utilidade, são visualmente lindos e absurdamente poderosos, sem falar nas forças paramilitares (D.U.P.) com poderes de concreto, que geram fractais aleatórios quando saltam de um ponto do mapa para outro, durante o combate. Todo o jogo é um espetáculo visual.

A jogabilidade é fluída, principalmente depois que se acessa os poderes de Neon, e pode-se simplesmente correr o mapa inteiro sem parar, saltar grandes distâncias, correr pelas paredes. Basicamente, todo problema de locomoção entre os figurativos pontos A e B, simplesmente deixa de existir. Acertar o uso dos poderes não é complicado, e a disposição das funções no controle é excelente. O único problema é pessoal, acostumado ao combo teclado+mouse, encontrei certa dificuldade para me adaptar à mira no analógico.

A trilha sonora é básica, quase sem pontos altos, composta basicamente por EDM e música eletrônica diversa. Enfim, nada a ser glorificado aqui, ou sequer lembrado.

A vilã, Augustine, aparece aqui e ali, torce o bigodinho, faz uma ou outra maldade e desaparece, mas sem o carisma de um Pagan Min, que fazia o mesmo, apenas com mais frases de efeito e um character design excelente. Augustine é uma variação de um soldado qualquer, com uma roupa diferente e uma personalidade de Dick Vigarista. Só falta rir fazendo “Mwahaha”.

Os demais personagens são arquétipos clássicos, o irmão sisudo (Reggie) que não quer que Delsin aprenda e use mais seus poderes, que vê o irmão como um leproso, ainda que ele esteja combatendo a força que quase destruiu sua vila. A rebelde (Fetch), que tem uma história de fundo mal explorada (no título original) e, da noite para o dia supera seu trauma depois de uma noite com Delsin e, por final, o nerd introspectivo padrão template 3 (caucasiano, óculos de grau, roupas largas, coluna curvada para frente), cujos poderes e falas são baseados em um MMORPG clichê inspirado em Diablo.

Para aqueles que sentiam falta do sistema de carma de Fallout New Vegas, este é o jogo. Na tela de loading de entrada do game, já topamos com o símbolo do game, vermelho e azul, renegade e paragon, mau e bom e etc. Como funciona isso? Em um jogo de ação tão simples quanto InfSS, não poderia ser mais simples, mate um inimigo, ou um civil, ganhe pontos pro lado vermelho… Imobilize um inimigo, ajude civis feridos e ganhe pontos para o lado azul. Escolha entre pintar um grafite agressivo, pontos maus, um grafite fofinho, pontos bons… Acredite ou não.

A história é muito fraca, rasa, com nada que Prototype, Red Faction ou outros tantos jogos já não tenham feito anos antes, melhor; Delsin é um babaca, assim como Reggie; Augustine é no nível Cruela Devil de tão estereotipada, assim como todos os outros personagens e ainda assim, Second Son vale a compra. É um espetáculo visual, que mantém a estabilidade da performance, jogabilidade bastante fluída e divertida. É como aquela camiseta velha, extremamente confortável que mal passa o umbigo, no tamanho, sabe? Pois é.

Cheguei aos finalmente em Second Son, mas aí, algo aconteceu… Encontrei o Bloodborne aqui na cidade… E Infamous passou a pegar pó, na estante.

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