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Futebol ou Basquete?

O estrelismo daquele jogador que corre como o vento enquanto domina uma bola no pé, ou a mira aguçada de um desgraçado que acerta sempre de três pontos? Quatro tempos, cheios de oportunidade para fazer aquela pipoca em casa, ou comer uns dois cachorros quentes e refrigerantes no ginásio, ou o dinamismo de uma partida rápida, quase sem pausas e que te dá tempo o suficiente no intervalo pra fazer uma lasanha congelada? Os dois esportes tem pontos maravilhosos, certo? No entanto, na certa, você tem um preferido e mal liga para (se não detesta) o outro, certo? Por que?

Quem escolhe um e abomina o outro, na certa está analisando bem superficialmente a coisa. No entanto, talvez uma das modalidades simplesmente não seja a ideal para você, e então, quando faz a escolha e percebe o amor genuíno, o mundo passa a ser lindo, feito de sorvete com calda de chocolate. E em um campo de flores, vocês dois vivem o amor eterno, felizes para sempre. Ou não…

Não foi a possibilidade de um novo Last of Us, a continuação espiritual de Shadow of the Colossus, um novo Final Fantasy ou God of War, que me fez desejar um Playstation 4 como um mosquito anseia pelo sangue; não foi um novo Gran Turismo, série da qual sou fã desde o primeiro título, lançado já há mais ou menos 20 anos, Horizon Zero Dawn, com todo seu misticismo em torno de um mundo misterioso onde a fauna tradicional é complementada por máquinas ferais; ou a série Madden, ainda que seja fã de futebol americano; não foram trailers ou promessas, que marcaram o ponto chave em que decidi que teria um Playstation 4, e sim uma música.

Desde que pus as mãos pela segunda vez (segunda vez pois, dei um rage quit de nada mais nada menos que seis meses, para retornar), no primeiro Dark Souls, lá por 2013, virei fã da série. Para mim, a batalha contra Gwyn é um dos pontos altos da história dos games, cuja música tema denota que algo está errado. Não é algo grandioso, mas deprimente. Não é um duelo grandioso, mas sim um ser ignorante a tudo que aconteceu naquele mundo e na figura lendária à sua frente. Os sacrifícios realizados por aquele farrapo, a história de seus filhos, de sua teimosia, e todos os pecados cometidos por sua ambição. O tema de Gwyn, nos ambienta em um mundo de cinzas e arrependimento, onde lendas são corrompidas, queimadas, humilhadas e a grande jornada heróica em muito se assemelha a uma folha que se desprende do galho e voa ao sabor do vento.

Ainda que fã da série Souls, em nenhum Dark Souls (1, 2 ou 3), exceto pelo tema de Gwyn, senti tamanha conexão e profundidade, quanto no tema de Gehrman. Não podia ser diferente, Gwyn e Gehrman são muito parecidos, suas histórias, cheias de dor e erros… Mas enfim, não é o momento de falar disso.

Sem condições de comprar o console e o título durante anos (Março de 2015-Dezembro de 2017), através da minha plataforma preferida já de muitos anos (PC), consumi muito conteúdo produzido na internet por diversos canais de Youtube, Wikis e o trabalho realizado por um amigo de longa data, @solidrenan, que compartilhou todas suas pesquisas sobre o lore de Bloodborne.

Desde o Playstation 2, havia migrado para o computador, como plataforma principal de jogos. A conversão foi imediata, quando estive na casa de um amigo entusiasta e presenciei Bioshock (o primeiro) e Medieval 2 Total War, em 1080p de resolução, anti alising no máximo, bem como texturas e todas as demais configurações. Tendo em casa um Playstation 3 e um Wii, na época, foi como se, com nove graus de miopia, alguém colocasse um par de óculos em frente aos meus olhos.

Quando vi a água de Bioshock, durante a abertura, escorrendo pela tela e então no mar em chamas, em alta resolução, com 60 quadros por segundo, entrei em parafuso. Tal como aconteceu quando vi Medieval 2 Total War, com milhares de unidades se movendo na tela, em alta resolução, com taxa de quadros estável e um sistema de estratégia como não havia visto até então.

Cria da série Age of Empires, meu conceito de estratégia (RTS) até aquele momento era o de criação de quatro ou cinco cidadãos para que coletassem os recurosos, para formar meu exército com cinquenta, cem, cento e cinquenta unidades para então atacar o inimigo. Em Total War, meu amigo explicou, todo gerenciamento da civilização era antes do encontro dos exércitos, no campo de batalha. E no campo de batalha, víamos dezenas de batalhões com cem unidades cada.

Voltei para casa, terminei Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots, vendi o PS3, o Wii e comprei um PC gamer. Consideravelmente mais modesto que o do meu amigo, lógico.

E por muitos anos fui feliz contando apenas com o PC, como principal plataforma de jogos. Pude voltar aos simuladores de cidade, como Sim City 4, aos RTS, como a série Command & Conquer, Total War, Age of Empires. Pude conhecer títulos recém lançados, do gênero, como Company of Heroes além de manter algum contato com o mundo dos consoles, através dos títulos multiplataforma. Parece o fim, né? É apenas o começo.

Ainda que perfeitamente satisfeito com meu PC, o qual recentemente havia passado por um Upgrade, nunca perdi o foco, teria o Playstation 4, por causa do Bloodborne, nem que acontecesse o mesmo que aconteceu com meu Playstation 3 anos antes, quando finalizei a história de Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots, outro título/série favorito, e vendi o console.

Então, em Dezembro de 2017 (pouco mais de dois anos do lançamento de Bloodborne), comprei o Playstation 4, um modelo slim, de 500gb de memória interna, em bundle com Uncharted 4, outro título vangloriado pelos sonystas como o retorno de Jesus Cristo à essas paragens. Tão logo recebi o aparelho, saí e comprei outros títulos. Só não o desgraçado do Bloodborne, que não achei nas lojas da cidade.

Essa é a história de um PC Gamer (que chegou a redigir a tradução do manifesto da PC Master Race), fanático por simuladores, RTS e FPS, e suas experiências nos clássicos desse novo mundo.

Apenas alguns pontos pra ninguém vir com forcado na minha direção, nos próximos posts…
* As análises que postar aqui, serão todas em minhas experiências com os jogos exclusivos das duas plataformas, Playstation 4 e PC, ou aqueles multiplataformas, em caráter comparativo.
* Nessas análises, vou abusar das minhas experiências no PC, nos anos em que mantive um hiato dos consoles.
* Serão opiniões bastante pessoais, nem sempre focadas em aspectos técnicos.
* Estou aberto a discussão sobre as análises, sejam por comentários na página ou em qualquer um dos nossos perfis.

Juro de pé junto que os próximos posts não serão tão extensos, mas precisava contextualizar um pouco… E sem mais delongas…

UNCHARTED 4
Tudo por uma esmeralda, sem o timming do Michael Douglas.

Minha experiência anterior com a série Uncharted, foi bastante positiva. Tive a possibilidade de experimentar Uncharted 2 Among Thieves já há alguns anos, na casa de um amigo e fiquei impressionado pela abertura. O caráter cinematográfico me impressionou naquele momento e, ainda que tivesse achado interessante, jamais compraria uma nova plataforma, por aquele título.

Quando vi o trailer de gameplay de Uncharted 4 (abaixo), na E3 de 2015, fiquei impressionado pelos gráficos, os efeitos de luz, sombra, vegetação, texturas e demais. Ainda assim, acostumado com o padrão Ubisoft de trailers, imaginei que houvesse um pesado downgrade, até o lançamento do título. Ou seja, expectativas baixas.

No ano seguinte, nos deparamos com o trailer de gameplay… Aquele, com a fuga pelas estradas enlameadas, com Drake dependurado por uma corda. Aí sim, amigos, fomos surpreendidos novamente.

Os efeitos de partículas, os sons das armas, o trabalho de dublagem, a interação com o cenário, e o dinamismo da jogabilidade me encantaram. Que decepção quando me deparei com um Tomb Raider 2013, mais bonito, com cuecas.

Era simplesmente natural que não tivesse qualquer apego àqueles personagens, uma vez que não havia compartilhado das suas jornadas anteriores. Para mim, aqueles personagens eram bobos, adaptações medíocres de histórias elaboradas para outra mídia que acabavam com o gosto de um chiclé já mastigado.

A perseguição deste trailer, naturalmente deve ocorrer depois de algumas horas de jogo, o problema é que minhas primeiras horas com Uncharted 4 foram tão tediosas ao ponto de dormir, uma ou outra vez, na frente da tv. O problema estava na dinâmica de avançar um pouco por um cenário completamente linear, eliminar uma onda de inimigos, avançar mais um pouco e assim por diante. Essa jogabilidade já não me atendia há alguns anos, e fora o que enterrou qualquer interesse que pudesse ter na série Gears of War, também.

Os gráficos eram realmente bonitos, para um console, mas nada que já não tinha visto em Crysis 3, quatro ou cinco anos antes, no meu PC da época. E nada que a Sony havia prometido nos dois primeiros teasers. Mas esse não é o maior problema do título, da série, ou do gênero.

Como mencionei antes, Uncharted 4, assim como os outros da série e tantos outros títulos, sofre do mal da adaptação do formato. Diversos críticos já falaram sobre esse problema, da necessidade de alguns games contarem uma história de maneira cinematográfica, buscando adaptar um estilo na íntegra, o que acaba deixando aquele gosto meio enjoativo, de algo que já vimos inúmeras vezes, melhor, e aquilo na nossa frente não passa de uma cópia barata.

A interação sempre permitirá uma quebra contextual a cada erro em um pulo, quando Drake dá com a cara em um penhasco e cai para a morte. Ou quando o mesmo fica encarando um monumento de pedra, claramente com partes móveis, sem saber como resolver o puzzle. O problema está na interação. Quando se vende uma experiência cinematográfica, não existe interação, não existe margem para improvisos ou quebra de contexto. O que acabamos recebendo? Um Powerpoint com uma estrutura tão clara que consiste em uma cena cinematográfica, um puzzle, um tiroteio, uma cena cinematográfica, um área stealth, um tiroteio, um puzzle, e assim por diante.

Todo mundo gosta de ver o mágico fazer a auxiliar levitar… O truque perde toda a graça se a gente ver os cabos.

Para minha sorte, o próximo título que comprei, não sofria desse mal… Não, ainda não era Bloodborne, pois AINDA não o havia achado na cidade, mas ao menos já era algo mais divertido.

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