AnáliseNews

Precisamos Falar Sobre Fallout 76

Ainda outro dia, conversava com o amigo e parceiro de porcaria (não me arrependo do trocadilho), @lcirilo, sobre as razões que provavelmente levaram Fallout a deixar de lado as várias árvores de diálogo, voltadas a interpretação de personagem, a um shooter descompromissado e sem carga de responsabilidade ao jogador. Se anteriormente precisávamos descobrir uma forma de limpar toda água de um mundo além da salvação, hoje pensamos em buscar códigos para ativação de ICBMs que possam criar áreas de maior desafio e melhor loot.

Consagrado como o maior sucesso comercial da Bethesda, superando até o Tetris da empresa, The Elder Scrolls V: Skyrim, Fallout 4, que eliminou boa parte das interações em interpretação, compostas de inteiras árvores de diálogo baseadas em Inteligência, Carisma, ou outra característica do seu personagem, substituindo-as por seleções de quatro respostas genéricas baseadas em conceitos como bom, mau, sarcástico ou mais informações, foi duramente criticado pelos fãs de longa data da série. Além da interpretação, praticamente eliminada, a sensação de peso de decisão e responsabilidade, que sentíamos na integralidade ao decidirmos assistir de camarote à destruição de Megaton, por exemplo, foram abandonadas.

Mecânicas de crafting e construção voltadas ao público casual também foram alvo de críticas dos mais puritanos. Conteúdos pagos inteiramente voltados à essas ferramentas casuais, ou como o parque de diversões da Nuka Cola deixavam claro qual o destino da série, e a qual público ela passaria a ser direcionada.

E essa, amigos, não foi uma decisão precipitada, ou que tenha volta. Até fevereiro de 2018, Fallout 4 vendeu quase 4 milhões de unidades (total de 13.89 milhões) a mais que o segundo maior sucesso da série, Fallout 3 (9.93 milhões). Fallout: New Vegas, tido pelos puritanos como ápice da série, vendeu “apenas” 8.41 milhões de unidades. Os anteriores sequer figuram a planilha.
Fonte: https://www.statista.com/statistics/504477/global-all-time-unit-sales-fallout-games/

Com o anúncio de Fallout 76, há poucos dias, a frase de Obi Wan Kenobi me veio a mente “Eu sinto um grande distúrbio na Força, como se milhões de vozes gritassem de terror e subitamente se silenciassem. Eu sinto que alguma coisa terrível aconteceu.”. A diferença é que, tais vozes não se silenciaram, subitamente, mas continuaram ecoando nos dias seguintes.

Sendo online, muitos fãs da série temeram que o jogo se tornasse um Day Z, como ele era em sua origem, onde seriam mortos e caçados por servidores, até que desistissem de jogar. Se a interpretação vinha sendo subtraída a cada nova edição, agora seria totalmente eliminada, uma vez que, vamos e venhamos, por mais que MMORPGs entreguem experiências bastante divertidas, não existe imersão ou interpretação neste gênero. E como poderia? Com dezenas de personagens à frente do mesmo NPC que apresenta uma missão onde o objetivo é salvar o mundo e apenas o herói pode resolver.

Essas preocupações foram parcialmente solucionadas durante o bate papo conduzido pela equipe do canal The Know, com Pete Hines, ainda na E3 (link abaixo), onde ele explicava que não haverão centenas de jogadores no mesmo servidor, quebrando totalmente a imersão do jogador. Haverão dezenas de jogadores pelo mapa que, será quatro vezes maior que o mapa de Fallout 4. Ou seja, você encontrará outros jogadores, apenas não o tempo todo.

E, é claro, você pode sempre jogar completamente solo, segundo Hines, sem jamais interagir com outros jogadores.

Durante essa conversa, Hines ainda comentou que a proposta de combate com outros jogadores é semelhante a de se lutar contra um Deathclaw. Caso você não o destrua, mas seja destruído e queira continuar lutando, você pode tentar uma, duas, três, dez vezes, até vencer o duelo ou, simplesmente se distanciar dessa luta e continuar mais tarde, ou não. Ganking, pelo que Hines falou, não será um problema para os novatos.

Desde o terceiro jogo da série principal, Fallout 3, as dinâmicas de tiro tem melhorado, título a título, até Fallout 4, o ápice em FPS na série, até o lançamento de Fallout 76. Considerando que o jogo será sempre online, V.A.T.S. (sistema de mira tática, semelhante à da série XCOM, com disparo automático e câmera lenta, baseado nas estatísticas do personagem) deixou de ser uma opção, para os rpgistas casuais que o utilizavam com frequência, certo? Errado.

O V.A.T.S. deixará de ser em câmera lenta, mas continuará existindo, mantendo a velocidade de jogo real, auxiliando na mira daqueles são fãs do jogo, mas não de FPS.

Até aqui, tudo tranquilo, certo? O Hype até é justificado, certo? Mais ou menos.

Como em toda série, desde o terceiro título, quando vi o trailer, ainda com olhos marejados, sabia que iria comprar, e nada que fosse mostrado, me convenceria do contrário. Ainda assim, me preocupa muito a banalização das histórias e personagens, que tem acontecido desde o quarto game da linha principal.

Com uma história que poderia ter se aprofundado tanto nas questões como: O que é vida? O que é intelecto? Com a figura do Instituto, como sombra que parece ameaçar Boston, nos bastidores, e mesmo personagens como Danse e Shaun, que estão intimamente ligados a instituição, tanto podia ser discutido naquele que foi apenas um template e manequins em um mundo construído como um parque de diversões que nunca entregou a profundidade do primeiro trailer.

Ainda assim, não é isso que mais me preocupa na série. O que mais me preocupa é a banalização do horror atômico de outrora.

Em Fallout 3, a palheta de cores era fria, com muito verde e cinza, do pouco que restou de uma Washington em escombros e poluída além das capacidades de sobrevivência de uma comunidade de grande porte.

Em New Vegas, ainda que o impacto das bombas atômicas tenha sido inferior na região de Nevada, vimos que a fauna foi duramente mutada, criando ameaças capazes de destruir um Courier de alto nível, próximo ao térmido da jornada, sem grande dificuldade. Poucas comunidades ainda existem fora da proteção de facções fortemente armadas.

Em Fallout 4, ainda vemos um pouco da ameça nuclear na região de Boston, especialmente ao sudoeste, onde tempestades radioativas ainda assolam a terra.

Em Fallout 76, poderemos buscar códigos nucleares pela West Virginia, e bombardear uma região do mapa ao nosso bel prazer. Quando bombardearmos essa região, ela será desolada e todas as criaturas nela, passarão por uma mutação evolutiva, se tornando mais perigosas, agressivas, e terão loot melhor.

Estou exagerando, ou isso parece um desvio um pouco grave demais, na essência da série?

De uma série que pareceu sempre apontar, ainda que indiretamente, as ameaças de uma guerra nuclear e o uso de combustíveis nucleares, parecemos estar rumando para Superman 4: Em Busca da Paz, com o homem nuclear, como um cara cool, criado com o poder atômico.

Ainda que possamos entender a decisão de mercado que levou a Bethesda a realizar essas mudanças e que, é sempre ótimo termos mais pessoas que compartilhem da nossa paixão (no meu caso, a franquia Fallout), um medo tem permeado meus sonhos, nos últimos dias. E meu medo, é diferente daquele da maioria dos fãs mais puritanos. Meu medo não é de um jogo sem singleplayer, com a possibilidade de encontrar um XoXoX_PussyDestroyer_XoXoX de lvl 20 que me destrua com um Fat Man, ou de não termos mods, que foram a principal vantagem dos jogos da Bethesda, durante muitos anos. Meu medo começa quando compro um Fallout e recebo um MMORPG vazio, sem alma.

Bom, aos poucos teremos mais e mais informações sobre o título, buscaremos o beta, que foi anunciado e, em Novembro de 2018, vou tirar a prova, quando comprar o jogo para PC. Ah, francamente, a quem estou tentando enganar, é compra garantida.

 

 

Pra cego ver…

Tirinha.

1 – Eu vou curtir Fallout 76.

2 – 76 vai arruinar a série inteira!

3 – Como se Fallout 4 já não tivesse feito?

4 – Fallout 3 e New Vegas ainda existem!

5 – Fallout nunca devia ter sido em 3d, pra começar!

6 – Country roads…

Take me homeeee…

To the plaaaace…

I BELOOOOONG!

 

 

 

 

Fallout 76 será lançado para PC, PS4 e Xbox One em 14 de Novembro de 2018.

Etiquetas

Artigos relacionados

Comente aqui...

Fechar