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Fallout 4: Três anos depois

Ali pelo dia 20 de Novembro de 2015, 30, não lembro bem, terminei minha análise de Fallout 4, que havia sido lançado no Steam no dia 10, do mesmo mês. Para aqueles que quiserem ler, aqui está ela… Já aviso que não é das mais sucintas.

111 Horas depois de me ver na Vault 111 pela primeira vez, havia finalizado a Main Quest e, usando a chinelagem de acessar o save anterior, feito os três finais principais, com umas poucas horas de diferença entre eles.

Nesses últimos três anos, conversei com muitos fãs da série e os relatos tem sido semelhantes, muitos deles abandonaram o título com 10 ou 20 horas de jornada. Muitos deles enfurecidos pelas mudanças que mencionei no outro post, sobre os temores com Fallout 76.

Por outro lado, minha jornada por Boston nunca realmente acabou. Entre um jogo e outro, sempre acabei voltando para Fallout 4 e, recentemente passei das 200 horas, sem qualquer sinal de que pararei tão cedo. Com Fallout 76 no horizonte, resolvi dar uma “passada de olho” nesses últimos 3 anos, o lançamento conturbado, o desgaste que o grande número de defeitos do jogo causam, com a exposição por muito tempo e mais.

Versão Baunilha.

 

Na esperança do lançamento das tradicionais expansões de história, através das DLCs, até então tradicionais da série, prometi que compraria o Season Pass sem pestanejar. Infelizmente foi algo que não se concretizou.

Com a maior parte das DLCs voltadas ao consumidor casual do conteúdo de Fallout: Automatron permitia construir um companion robô, Wasteland Workshop daria novas opções de construções, Contraptions Workshop e Vault-Tec Workshop trariam mais opções de decoração e Nuka-World se passaria em uma Disney da corporação Nuka Cola. O que restaria ao jogador hardcore da série? Far Harbor? A única DLC com conteúdo realmente profundo.

Não adquiri o Season Pass, ou qualquer uma das DLCs, não pelo valor, mas pelo princípio. Me recuso a comprar packs padrão The Sims, em Fallout.

Quanto aos mods, muito mudou, nem tudo positivamente.

Em minha primeira jornada, tive a experiência Vanilla em sua integralidade. Não usei nem mesmo mods de estabilidade, que no meu caso, passaram a ser desnecessários a partir da versão 1.02, que foi lançada coisa de 15 dias depois do lançamento do jogo. O lançamento foi bem mais turbulento que o meu caso transpareceu. Tido como uma pilha de bugs sem fim, crashes e instabilidade na taxa de quadros, Fallout 4 foi o lançamento mais problemático do Bethesda, desde os saves de Skyrim, no PS3.

Nos últimos 3 anos, tenho jogado Fallout 4 com certa frequência, entre um lançamento e outro, e tenho utilizado alguns mods, mas apenas gráficos. Ainda que a UI seja pouco intuitiva, às vezes até confusa, preferi não mexer com a experiência nesse sentido, atualizando apenas os gráficos, que poderiam realmente ser um pouco melhores.

Através do Nexus, busquei mods que melhorassem a skybox, efeitos de profundidade, texturas e uso de luzes. Todos efeitos que poderiam sim, estar inseridos na experiência Vanilla, se a Bethesda tivesse dado mais polimento ao aspecto, mas considerando o lançamento turbulento, isso teria empurrado o lançamento em uns bons 2 ou 3 meses para frente, perdendo o período de festas de 2015, impactando as vendas. E pelas características/vendas de Fallout 4, e do futuro da série, sabemos que isso jamais seria permitido.

Mas meu acesso ao Nexus, em teoria, poderia ser considerado ilegal, acredite ou não, haja vista que a Bethesda incluiu seu próprio sistema de mods pagos em Agosto de 2017. O famigerado Creation Club.

A ideia de mods pagos já era antiga, na época, e havia sido levantada pela Bethesda, junto a Valve, lá em 2012, na época de The Elder Scrolls V: Skyrim e foi recebida pelos jogadores com, no mínimo, certa oposição. O Creation Club foi recebido com desconfiança e clara oposição, ainda que Hines e Howard (Pete e Todd, respectivamente) tentassem, em vão, tranquilizar os fãs da série. No fim das contas, a Nexus continua firme e forte com a série, ao menos até o lançamento de Fallout 76 que, por ser online, provavelmente não terá suporte a mods, com a possibilidade de jogadores usuários de mods, serem expulsos, como aconteceu com GTA 5 Online.
Fonte: https://www.eurogamer.net/articles/2017-06-19-gta5s-recent-steam-reviews-are-overwhelmingly-negative-amidst-mod-controversy

Fallout for dummies.

Se na época, as mudanças de formato do roteiro e diálogo com os NPCs não me incomodavam, depois das 180, 190 horas de jogo, passaram a me incomodar bastante. Principalmente quando voltei a jogar New Vegas, um dos meus jogos menos favoritos, da série. Sim, sei que o termo “menos favorito” não se sustenta, mas vou segurá-lo.

Os diálogos com Piper e os demais companheiros de viagem são bastante superficiais e repetitivos, raramente temos aprofundamento de NPCs, Preston é um porre, com suas missões repetitivas, dos Minutemen, a maior parte das decisões que você toma, durante o jogo, não tem impacto na comunidade, salvo pela última missão, e ainda assim, se continuar jogando, não haverá qualquer alteração nos diálogos ou assentamentos.

De certa forma, tudo o que os fãs de Mass Effect sentiram no final do terceiro Mass Effect e em Mass Effect Andromeda, sumarizada o que a comunidade hardcore de Fallout sentiu no lançamento de Fallout 4, e nos meses/anos subsequentes. Um misto de decepção, tristeza e raiva. Nos sentimos traídos… Ah merd…

Lembrei da jogabilidade, divertida, leve. Da trilha sonora, única, perfeita para cada momento. Da direção de arte, extraordinária. Da dublagem, tão superior a todos os jogos anteriores, mesmo daquele que contou com Liam Neeson. Lembrei do Instituto, da Ferrovia, da Irmandade do Aço, de Shaun, Dogmeat, Deacon, Valentine. Lembrei de Boston, do que senti quando entrei no museu de feitiçaria pela primeira vez e quando vi a Pryden atravessando o céu. Da adaga cerimonial que encontrei no fundo de uma mina, da power armor que encontrei no fundo de um lago, daquele único ghoul que vi boiando, em cima de um pallet de madeira, no meio do rio.

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Todas as essas screenshots são da minha primeira run, pelo jogo…

22/6/2018, 10:42… Nesse momento lembrei de tudo isso e comprei o Season Pass. Favor desconsiderar o “Rant” sobre as DLCs, de alguns parágrafos atrás.

Isso resume minha relação com Fallout 4, três anos depois de o lançamento turbulento, das críticas negativas, dos crashes, dos rompantes de ódio dos fãs, quanto a casualização dos temas e roteiro do jogo. Das minhas decepções, ainda que tardias, com o título e dos temores que tenho de 76.

Fallout 4, ao contrário da crença popular, é um ótimo jogo e, se este vai ser o último Fallout que vou curtir, ao menos vou aproveitá-lo na integralidade.

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