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Análise de Far Cry 5

“Parabéns Recruta! Sua primeira missão já foi designada… não, não precisa se preocupar, é coisa simples: você e mais uma equipe vão apreender o líder de uma seita que é acusado de sequestrar umas pessoas. A região toda é controlada por ele, a seita tem muitos seguidores – todos armados, e você vai num grupo de 4 pessoas pra dar conta do recado… o que poderia dar errado, certo?” É mais ou menos assim que você se sente nos primeiros minutos do jogo. E em todo o resto dele.  

Far Cry 5 volta aos tempos atuais, dessa vez ambientado nos Estados Unidos da América, mais precisamente ao condado de Hope, em Montana. Ao contrário dos jogos anteriores em que você tinha uma relação com os outros personagens ou a região onde está, Far Cry 5 te apresenta como um recruta genérico cuja única ligação com os outros personagens do grupo é o fato de todos estarem com um problema gigante. E esse problema tem nome: Joseph Seed, também conhecido como “o Pai”, líder de uma seita que vem espalhando terror na região. Para chegar até ele, é preciso derrotar antes os três membros da “família” dele, cada um em posse de um de seus amigos policiais capturados. Aí, Recruta, como as coisas vão ser depende inteiramente de você. 

O jogo é um pouco menos linear do que os jogos anteriores, de forma que você pode escolher qual caminho seguir em alguns momentos – como por exemplo, qual dos chefes da família você vai destruir primeiro. Mas na maior parte do tempo, o jogo ainda se mantém linear quanto aos momentos de encontro com os chefes, com cutscenes e cenas de ação roteirizadas. Nada que chegue a incomodar de fato, mas pode ser um problema para quem esperava algo mais dinâmico na série. 

E para chegar aos chefes você precisa diminuir sua influência na região que ele controla (3 chefes, 3 regiões). Á medida que a influência diminui, o chefe passa a focar mais esforços contra você, até que o encontro aconteça. E para diminuir a influência, basta realizar missões de apoio á NPCs específicos, salvar reféns aleatórios, destruir caminhões de combustível aleatórios também, destruir silos, conquistar postos avançados, tudo usando o bom e velho jeito americano de resolver as coisas: na bala. E justiça seja feita, está bem mais divertido meter bala agora do que nos anteriores: tanto os inimigos quanto você possuem uma resistência similar, então um confronto direto pode ser bastante arriscado em vários momentos.  

Falando em meter bala, temos uma grande variedade de armas, como de costume, todas com direito a upgrades que melhoram consideravelmente o desempenho. Bazucas, arco e flecha, metralhadoras, escopetas, rifles de assalto e de precisão, tudo do bom e do melhor para instaurar o caos no condado de Hope. Claro que isso tem um custo: dinheiro. E ele já não é mais tão fácil assim de se conseguir, então comprar uma arma, upgrade ou um veículo pode ser mais trabalhoso do que você se lembra.  

E sim, temos vários veículos á sua inteira disposição, com o diferencial de que agora podemos comprá-los, sendo estes dos mais diversos. Jipes, quadrículos, caminhões, carros, helicópteros, aviões, barcos… sinta-se a vontade. Sim, finalmente você pode pegar um teco teco e sair por aí atirando com sua metralhadora ou bombardeando os inimigos/construções/animais… quem não ama o cheiro de napalm pela manhã? 

Eu disse animais e você teve um flashback de caçar animais e aumentar sua coleção de bolsas Ubi Viton? Pois esqueça. Agora você caça e pesca por dinheiro. Quer melhorar suas bolsas e carregar mais munição, itens de criação e afins? Compre habilidades. Melhorar tempo de recarga, de troca de armas, de usar wingsuit, paraquedas, dentre outras inúmeras coisas, tudo via habilidades, que você consegue cumprindo desafios (mate tantos fulanos usando uma pistola, etc.) ou conseguindo revistas (“faça agora o teste e veja qual membro da sua família será seu crush!”).  

E aliado á caça, temos a pesca. Agora você pode relaxar no fim do seu dia, após explodir postos avançados ou salvar civis. Os pontos de pesca e caça agora são adicionados ao mapa conforme você explora e vê as placas que mostram qual a fauna disponível naquela região. Ah, e os franceses da Ubisoft FINALMENTE desistiram da ideia de subir torres (vai gostar de torre, hein): agora você tem acesso ás informações do mapa apenas explorando a área ou conseguindo um mapa da região, que marca os pontos relevantes, que na maioria das vezes você vai visitar por uma missão ou outra.  

Seus amigos policiais foram capturados, então você está sozinho nessa, certo? Errado. Temos as armas de aluguel que você pode chamar para te ajudar. Se a situação ficar muito ruim, tem alguns genéricos que você pode chamar e entrar na batalha, mas a graça está nos NPCs específicos que você ajuda e eles entram para sua causa. Uma sniper, um piloto de aviões que chega metralhando todo mundo, um cachorrineo, um urso… seu círculo de amizades eclético estará disposto a te ajudar em momentos de dificuldade. Algum deles morreu? Sussa, depois de um tempo eles ficam disponíveis de novo. E a IA destes NPCs está ótima (melhor do que a dos aliados genéricos e melhor do que era nos jogos anteriores), a ponto de eles realmente serem a diferença entre a vitória e a derrota. 

A trilha sonora aparece em alguns momentos chave de conflito ou dentro dos veículos, onde você pode alternar entre as rádios do jogo e ouvir o estilo que melhor lhe agradar. O os sons no geral são bastante convincente, sem maiores destaques e nada que atrapalhe. Mas o destaque especial fica por conta da localização e dublagem nacionais, que são bem melhores do que os outros jogos da série. Salvo por uns NPCs que – provavelmente – chamaram qualquer um pra dublar, o trabalho dos atores ficou excelente, contando com várias vozes conhecidas e talentosas (ainda estou esperando o Dutch me mandar para outra dimensão). 

O mundo é bastante vivo. A quase todo momento tem alguém da seita fazendo besteira próximo a você. Seja batizando alguns civis nos rios, interrogando outros, arrastando eles floresta adentro… pequenas missões aparecem conforme você vai andando e quando vê a missão principal está longe. Os animais também são um caso a parte, com uma IA melhor, e é bem divertido ver eles brigando entre si ou atacando seus inimigos. 

Graficamente o jogo se assemelha muito ao Far Cry 4, com algumas melhorias aqui e ali mas nada muito expressivo. Jogadores de PC que conseguiram rodar o jogo anterior deverão rodar este sem maiores problemas. Algumas coisas chegam a incomodar, como vegetações que somem e aparecem quando se está á uma distância maior, e não há nenhuma opção gráfica no menu que permita uma regulagem disso caso tenha um computador mais potente. Não importa o poder de processamento da sua cpu/gpu, não há regulagem alguma da quantidade de detalhes á uma distância maior como vemos em outros jogos atuais. Bola fora da Ubisoft. 

Em suma, Far Cry 5 cumpre o que promete: tiros, explosões, caos e morte, tudo isso de maneira cinematográfica e fluída. A história é o padrão filme de ação, tão raso quanto um prato de restaurante, mas boa o suficiente pra te manter no jogo. Com mudanças na jogabilidade que trouxeram mais dinamismo na hora de conseguir melhorias, o jogo é obrigatório para os fãs da série ou de jogos de ação

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